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4 de janeiro de 2013

Morte e vida de Charlie St.Cloud - Ben Sherwood

Ficha técnica


Título nacional: Morte e vida de Charlie St.Cloud
Título original: The death and life of Charlie St.Cloud
Autor: Ben Sherwood
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-63219-18-3
Ano de lançamento: 2004
Lançamento no Brasil: 2010
Páginas: 304
Classificação:


Um coração dividido entre dois mundos. 

Em uma pacata vila de pescadores na Nova Inglaterra, Charlie St.Cloud cuida dos gramados e monumentos de um antigo cemitério onde seu irmão mais jovem, Sam, está enterrado. 
Após sobreviver ao acidente de carro que tirou a vida de seu irmão, Charlie recebe um dom extraordinário: ele consegue enxergar, conversar e até mesmo brincar com o espírito de Sam. É neste mundo místico que entra Tess Carroll, uma cativante mulher treinando para navegar sozinha ao redor do mundo em um veleiro. O destino faz com que seu barco seja apanhado por uma violenta tempestade, trazendo-a assim para a vida de Charlie. Sua bela e incomum ligação os leva a uma corrida contra o tempo e a uma escolha entre a vida e a morte, entre o passado e o futuro, entre apegar-se ou deixar o passado para trás - e a descoberta que milagres podem acontecer se nós simplesmente abrirmos nossos corações.

Um dos livros mais leves e de fácil compreensão que eu li em 2012.

Nem todas as pessoas conseguem superar a morte de alguém querido e seguir em frente, e assim foi com Charlie ao perder em um acidente de carro - onde ele era o motorista - o irmão mais novo Sam, e seu cãozinho Oscar.

Fatalmente o carro é atingido por um caminhão diretamente do lado de Sam, Charlie também sofre com o impacto, mas é trazido de volta a vida pelos paramédicos, e é nesse momento que ele ganha seu "dom" de interagir com espíritos.

Por ter esse dom, e por se sentir culpado pela morte de Sam, algum tempo depois do ocorrido, Charlie começa a trabalhar como zelador do cemitério onde o menino foi enterrado, assim, além de passar mais tempo com o garoto, ele pode cumprir com a promessa que havia feito - treinar beiseboll diariamente com o irmão durante uma hora ao por do sol.

13 anos se passam, e assim Charlie segue seus dias, com essa rotina calculada, ditada pelo por do sol e pela promessa de nunca abandonar Sam, sem almejar mais, sem sonhos e sem expectativa nenhuma de sair da mesmice.

É nesse cenário de paz, ordem e rotina que aparece na vida de Charlie a doce e destemida Tess Carroll, uma jovem bonita que quer desbravar o mundo em seu veleiro.

Encantado com a simpatia e força de vontade de Tess, eles se envolvem, dão muita risada juntos, passam a noite juntos, porém, o que nem Charlie e nem Tess sabem é que embora tudo pareça real - e quando digo real, é real mesmo - é que Tess está no limiar entre vida e morte, pois seu veleiro foi atingido por uma forte tempestade e ela está desacordada.

Seu corpo está inerte, quase sem vida, porém, seu espírito está vivo, e é esse espírito sedento por vida, por amor e por tudo de bom que a vida tem a oferecer, que se envolve com Charlie.

A localização do veleiro é incerta, e a única pessoa que pode ajuda-los é Sam, que a essa altura já está mordido de ciúmes, se sentindo deixado de lado pelo irmão que prometera nunca o abandonar.

Sam precisa fazer sua escolha entre ajudar ou não, e Charlie precisa se decidir entre passado e futuro, se deixará Sam partir - pois se ele não comparecer um dia a um dos encontros, ele jamais verá o espírito do irmão novamente - ou se deixará Tess partir.

O amor entre Tess e Charlie é sobrenatural, e é sobre isso que o livro fala, sobre amores, escolhas e segundas chances, pq embora todos nós possamos errar e continuar errando, todos também temos a chance de recomeçar e escrever para a própria história um final diferente e surpreendente, como no livro!

A história é linda, eu jamais li algo relacionado ao amor verdadeiro de dois irmãos, que mantém laços até no pós morte, o romance com Tess é suave e gostoso de ver se desenvolver, e segundas chances sempre me atraem, pq eu acredito piamente que o ser humano pode mudar, basta querer.

Explora muito bem o lado familiar, as descrições são muito verossímeis, tão verdadeiras que é como se fossemos parte da história, são tão bem feitas que basta fechar os olhos pra sentir o aroma do mar, ou a chuva molhando o rosto.

É um livro que vale a pena, feito para pessoas sensíveis que crêem em milagres e em mudanças.

30 de março de 2012

Túnel do tempo #2: O primeiro amor de Laurinha - Pedro Bandeira



Título nacional: O primeiro amor de Laurinha
Autor: Pedro Bandeira
Editora: Hamburg Donnelley
ISBN:978-85-16063-27-6
Ano de lançamento: 2001
Páginas: 110
Classificação:

Do primeiro amor, a gente nunca esquece... Laurinha, a deliciosa protagonista de O mistério da fábrica de livros, fez de tudo para a história do seu primeiro amor fosse eternizada em um livro. E aqui está esse livro, trazendo toda a magia da primeira vez em que alguém muito especial apareceu para despertar em seu coraçãozinho quase adolescente a magia do primeiro amor. Ilustrações de Walter Ono.

Novamente nossa protagonista é Laurinha, a mesma menininha doce, delicada e apaixonada de O mistério da fábrica de livros.
Lembra que ela queria eternizar sua história de amor com Adriano em um livro?
Lembra que tinha que ser com o mesmo papel do Meucalipto?
Então, esse é o livro que ela fez de presente para Adriano.

O clima é de recreio com chuva, e é durante esse recreio, em uma brincadeira proposta por Laurinha que Adriano entra em sua vida.
Um amor puro, intocado e inocente, aquele primeiro amor que as meninas provam, mas que enfrentará alguns probleminhas no meio do caminho.
O que você faria se sua melhor amiga se apaixonasse pelo mesmo garoto que você? Pior ainda, e se você acha que sua prima também gosta dele?
E se por estar tão confusa você acabar brigando com o garoto que gosta mas depois descobrir que tudo foi engano?
Então, Laurinha passa por tudo isso, todas essas emoções e desencontros até descobrir que...

Esse é o tipo de livro que fala sobre o primeiro amor, aquele amor que dá friozinho na barriga, que faz a gente querer ir pro colégio só pra ver o menino em questão, que faz a gente sonhar acordada, que arranca suspiros apaixonados.

A Laurinha sou eu, é você, é a minha prima, é a minha irmã, toda menina tem uma Laurinha dentro de si, toda menina já teve um coração de Laurinha, apaixonado, puro, delicado, jovial, que mostra pra todos nós a magia que jamais deve ser esquecida dentro de nossos corações.

Recomendo para todas as idades, assim como no Mistério da fábrica de livros, pode não chamar atenção do público adulto, mas tenho certeza trissoluta que ganhará o coração e fará com que todas meninas de até 12 anos suspirem por um amor igual ao dela.

Beijos e bom fim de semana

Julia

26 de março de 2012

A promessa - Richard Paul Evans


Título nacional: A promessa
Título original: Promise me
Autor: Richard Paul Evans
Editora:
Lua de papel
ISBN:
978-85-63066-69-5
Ano de lançamento:
2010
Lançamento no Brasil:
2011
Páginas:
276
Classificação:

Enquanto estiver lendo a minha história, há algo que quero que compreenda.
Apesar de todo o sofrimento – passado, presente e que ainda virá -, eu não teria feito nada diferente. Nem trocaria por nada o tempo que passei com ele – exceto pelo que, afinal, eu troquei.


Beth Cardall tem um segredo. Durante dezoito anos, ela não teve escolha senão guarda-lo para si, mas, na véspera do Natal de 2008, tudo isso está prestes a mudar.

Para Beth, 1989 foi um ano marcado pela tragédia. Sua vida estava desmoronando: sua filha de seis anos, Charlotte, sofria de uma doença misteriosa; seu casamento transformou-se de uma relação aparentemente feliz e carinhosa em algo repleto de traição e sofrimento; seu trabalho estava por um fio e ela perdera totalmente a capacidade para confiar, ter esperanças e acreditar em si mesma. Até que, um dia extremamente frio, após atravessar uma nevasca até a loja de conveniência mais próxima, Beth encontra Matthew, um homem misterioso e encantador, que mudaria de uma vez só o curso de sua vida.

Quem é esse homem e como ele parece conhecê-la tão bem? Matthew a persegue incansavelmente, mas somente após se apaixonar perdidamente é que descobre seu incrível segredo, transformando sua forma de ver o mundo, assim como seu próprio destino nessa história de tirar o fôlego sobre como o amor é capaz de mudar todas as nossas perspectivas.

Primeiramente quero falar sobre a diagramação do livro que é linda.
Ao início de cada capítulo a página fica tomada por arabescos de flores, que segundo toda minha falta de conhecimento em botânica, devem ser sakuras, mas isso é só um chute.

Agora vou a história propriamente dita.

Beth Cardall é uma mulher com seus quase trinta anos, bonita, e que aparentemente tem uma vida feliz ao lado da filha e do marido, que por ser vendedor viaja demais.

Porém, em uma das voltas do marido ela descobre por meio de um bilhetinho cretino e vulgar encontrado na roupa dele, que ele a trai há um certo tempo.
Paralelo isso, a filha Charlotte de seis anos sofre de uma doença misteriosa que médico nenhum consegue diagnosticar com certeza.

Só que como pouca desgraça é bobagem – e no caso da Beth as coisas só tendem a piorar – além do marido traí-la, ele descobre que está com câncer em fase terminal e que só tem alguns meses de vida.

Em consideração a filha, Beth fica ao lado de Marc até o último suspiro, cumprindo seu dever de esposa até o fim.

Após a morte de Marc, Beth se fecha para o amor, se fecha de um modo tão cheio de amargura que ela não consegue mais confiar em ninguém, e é isso o que retrata o livro: esperança.

Quando tudo parece perdido e sem esperanças, na véspera de Natal Beth vai a uma loja de conveniência e não imagina que dali pra frente sua história será escrita de outra maneira.

Ela conhece Matthew, um jovem inteligente, simpático, moreno, olhos claros – o típico deus grego que todas pedem pra Santo Antônio.

Matthew é um homem apaixonante, e conforme o envolvimento deles cresce, o cuidado com Beth e Charlotte se torna cada vez maior, porém, uma coisa intriga Beth, o fato dele não se deixar entregar fisicamente a relação dos dois.

Ele surgiu de modo inesperado, o amor entre eles (mesmo sem consumação carnal, se é que me entendem) existe de um modo muito intenso, e é isso que torna o livro instigante.
Quando você descobre o segredo que Matthew carrega, e conseqüentemente A promessa, entenderá o porque e Beth passar a viver a vida tão intensamente ao lado do homem que ama e da filha, e as escolhas que ela faz passam a se encaixar.

A presença dele na vida de Charlotte e Beth não muda somente a vida delas, muda toda história, muda o futuro que estava reservado a mãe e filha.

É uma história fantástica, alguns filmes já usaram esse tema base em produções, mas jamais li algo do gênero que me convencesse tanto.
A leitura se desenvolve tão bem que dá pra ler o livro em uma tarde, são 276 páginas que passam voando.

Além dos arabescos que enfeitam cada novo capítulo, temos um fragmento do diário de Beth, e o trecho abaixo, segundo a minha opinião é um dos mais sábios.

"Ódio, ressentimento e raiva são parasitas que

se alimentam do coração até que não haja nada
para nutrir o amor."

Diário de Beth Cardall - página 57

Para quem deseja um livro de amor sem aquele drama adolescente, eu recomendo sim, a história poderia ter sido melhor desenvolvida, mas não dá pra ter tudo ao mesmo tempo.

Acredito que a simplicidade com que foi escrito o tenha tornado tão prazeroso, os personagens são bem construídos mas não são enfadonhos.

É um livro de extremos, você vai do céu ao inferno em segundos, e volta ao céu novamente.

Quando li a última frase, me deu um aperto no coração, um nó apertado na garganta, confesso que embora tenha amado o livro, e por ser mãe entenda as escolhas que ela fez em favor da filha, torcia por um final diferente.

Mesmo assim recomendo, é uma leitura agradável, instigante que você não consegue parar enquanto não termina, e depois do segredo ser descoberto, ahhh, aí você gruda mais ainda os olhos nas letrinhas e quer engolir o livro.

Abaixo, o book trailer pra você se encantar mais com a história.



E vocês, quem leu, gostou?

Beijos

15 de março de 2012

Melancia - Marian Keyes



Título nacional: Melancia
Título original: Watermelon
Autor: Marian Keyes
Editora: Edições BestBolso
ISBN: 978-85-779-165-5
Ano de lançamento: 1995
Lançamento no Brasil: 2003
Páginas: 489
Classificação:


Com este romance engraçadíssimo e irreverente, a autora irlandesa Marian Keyes conquistou milhares de leitores no Brasil e no mundo. A protagonista Claire tem 29 anos, uma filha recém-nascida e um marido que acabou de confessar o seu caso de mais de seis meses com a vizinha também casada.
Claire se resume a um coração partido, um corpo inteiramente redondo, aparentando uma melancia, e muita depressão, bebedeira e choro. Mas ela decide avaliar os prós e contras de um casamento desfeito depois de três anos e quando começa a se sentir melhor, o ex-marido reaparece para convencê-la a assumir a culpa por tê-lo jogado nos braços de outra. Claire vai recebê-lo, no entando reservará uma bela surpresa para o ex.

A primeira vez que vi esse livro na livraria me encantei com a capa, embora não goste de melancias – nem do cheiro, muito menos do sabor – achei interessante, um livro onde o título era o nome de uma fruta.
Porém, quando vi o preço, quase desmaiei, e confesso que se não fosse a iniciativa da Editora Record em lançar o catálogo BestBolso, eu não teria lido, mas quem resiste a um livro com a capa tão linda por apenas vinte reais?
Ele praticamente me chamava com as duas mãos, não resisti e tive que trazer, aliás, iniciei a leitura no meio do caminho.

Como dito na sinopse, Claire acabou de dar a luz e quando acha que o marido irá paparicar ela e a filha, toma um balde de água gelada na cabeça, sem rodeio nenhum (nenhum mesmo) ele diz que está tendo um caso com uma mulher também casada que mora em seu prédio, e que eles estão indo embora juntos. Delicado assim.

Desesperada, sem saber o que fazer ao sair do hospital, ela decide ir pra casa de seus pais em Dublin – Irlanda, e com a ajuda de uma amiga, faz as malas rapidamente ao ter alta do hospital e segue para casa de seus pais.

Já em Dublin somos apresentados a sua irreverente família, a família Walsh.

Sua mãe - que não cozinha nem sob tortura e faz todos se alimentarem de comida congelada nas principais refeições.
Seu pai – que passa aspirador de pó na casa há mais de 15 anos.
Sua irmã mais nova Helen – irritantemente convencida e crédula de que o universo gira em torno de seu umbigo.
E sua outra irmã mais nova Anna – que tem um bom coração, mas que tem sérios problemas com a realidade.

Amparada pela família ela vive seu perído de luto pelo fim do casamento.

O sofrimento dela é real, ela realmente amava aquele homem, aliás, todos os personagens são muito reais, e a Marian Keyes tem uma escrita incrível, ela faz você ser parte da história, é como se você e Claire fossem melhores amigas e ela estivesse contando tudo tim tim por tim tim pra você, nos mi-ní-mos detalhes, o modo como ela conta tooooooda desgraceira que aconteceu, não chega a ser uma comédia, mas arranca boas risadas de quem está lendo.
Frases do tipo “Garota, você não para de se mexer, por acaso está com uma pulga na calcinha?”, ou “Naquele momento eu deveria ter cortado minha língua fora com uma única dentada!” quebram o gelo da seriedade do assunto.

Confesso, que no início do livro, ao vê-la sofrer daquela maneira, eu queria que ele a procurasse, aliás, eu queria era dar uns tapas da Claire e fazê-la acordar para a vida, mas conforme a história se desenvolve, e você vê a superação da personagem, você quer mais que James vá pro raio que o parta.
Claire ficou muito tempo chateada, chorando, trancada em casa, e sua vida muda a partir do momento que ela decide se levantar, tomar um banho e lavar os cabelos, e se jogar na vida, enfim, fazer a limonada com o limão que a vida lhe deu.
As coisas melhoram muito daí pra frente – tanto no livro como na vida dela – ela decide cozinhar, e na noite que faz o jantar (pq lá só comida congelada, lembra o que eu disse sobre a mãe dela lá em cima?) Helen traz um charmoso amigo para jantar, Adam, o senhor perfeição.

Aliás, não é spoiler eu dizer que eles tem um breve “romance”, né?
Ambos gostam da compania um do outro, e Adam a faz se sentir bem consigo mesma, faz com que ela se sinta bonita, inteligente, simpática, atraente, sexy...

Ao virar de cada página a história vai tomando rumos diferentes do que você poderia prever, é uma leitura muito prazerosa com um enredo nada pretencioso mas que te prende, aliás, não vou mentir, ele te prende mais do meio para o fim, explico, do meio para o fim Claire tem que tomar decisões muito sérias, pq o marido idiota dela reaparece e você fica naquela ânsia de saber qual decisão ela irá tomar.
Será que ela vai perdoar a traição do marido?
Será que ela vai voltar com ele?

O livro é clichê com um final previsível (pelo menos com a minha “experiência” de vida ou meu dom de vidência eu pude prever o final), mas é um daqueles livros gostosos pra você ler quando quer dar um pouco de risada, quando quer ler algo descontraído.



P.S.: Só dei quatro corações pq embora tenha adorado o livro e o recomende, só fui me sentir presa à ele, do meio para o final, mas recomendo mesmo assim como boa leitura.

12 de março de 2012

A arte de correr na chuva - Garth Stein


Título nacional: A arte de correr na chuva
Título original: The art of racing in the rain
Autor: Garth Stein
Editora: Ediouro
ISBN: 978-85-00-02256-2
Ano de lançamento: 2008
Lançamento no Brasil: 2008
Páginas: 303
Classificação:


Uma história de amor arrebatadora
E um comovente conto de redenção...
Como só um cachorro poderia contar.

Enzo sabe que é diferente dos outros cachorros: um filósofo com alma humana. Ele foi educado assistindo aos programas do National Geografic e ouvindo todos os conselhos de seu mestre e dono Denny Swif, um piloto de corridas. Por causa de Denny, Enzo adquiriu uma grande percepção da condição humana e aprendeu a administrar a vida como em uma corrida de Fórmula I, onde nem sempre a velocidade é a melhor estratégia.

As vésperas de sua morte, Enzo faz uma retrospectiva de sua vida, relembrando tudo que ele e a família passaram: os sacrifícios que Denny fez para ser bem sucedido profissionalmente; a perda inesperada de Eve, a esposa de Denny; a batalha do dono para conseguir a guarda da filha a quem os avós maternos fizeram de tudo para conseguir a custódia...
E, ao final, a chegada heroica de Enzo para preservar a família Swif.

A arte de correr na chuva é um livro modelado nos desejos e absurdos da vida humana. É uma emocionante história de amor, profundamente divertida e alegre, que cativará a todos.

Antes de mais nada, eu sou muito receosa pra ler livros onde a narrativa parte da vida de um animal, eles tem vida curta, e na maioria das vezes o final do livro é trágico e eles morrem, não gosto, prefiro ler livros onde não hajam mortes, assim me poupo de todo sofrimento e do coração estilhaçado, fora o pequeno rio de lágrimas que se forma ao meu redor de tanto chorar.

Se me é permitido resumir o livro em apenas uma palavra ela seria: emocionante.

O livro todo é narrado pelo próprio Enzo, fazendo uma retrospectiva de toda sua vida, todos os momentos felizes e tristes que o transformaram no cachorro que ele é.

Enzo assiste televisão o dia todo, e devido a isso adquiriu muito conhecimento, se ele fosse humano seria aquele tipo de pessoa que sabe conversar a respeito de qualquer assunto, e sem fazer feio, pq Enzo é extremamente inteligente.
Após assistir um documentário no National Geografic, ele tem plena certeza que sua próxima encarnação será como ser humano, como homem.
Religiosidades a parte, esse trecho é exatamente onde ele explica a fundamentação de que ele tornará como humano:

"Na Mongólia, quando morre um cachorro, ele é enterrado no alto de uma montanha para que as pessoas não possam andar sobre seu túmulo. O mestre do cachorro sussurra no ouvido do cão o seu desejo que ele volte como homem na próxima vida. Então, o seu rabo é cortado e colocado debaixo da sua cabeça, e um pedaço de carne ou gordura é colocado em sua boca para sustentar sua alma em sua jornada; antes de reencarnar, a alma do cão é libertada para viajar pelo país, para correr pelas planícies do deserto durante o tempo que quiser.
Vi isso num programa do National Geographic Channel, por isso acredito que seja verdade. Nem todos os cães voltam como homens, eles dizem; só os que estão preparados.
Estou preparado.”

Enzo não quer apenas ser humano na próxima vida, ele quer ser um humano culto, que sabe lidar bem com as palavras, pois uma de suas frustrações é não poder falar, é não poder ser ouvido, ele se sente preso em uma caixa a prova de som, onde ele ouve as pessoas, mas ninguém pode ouvi-lo.

E é assim, assistindo a programas da TV a cabo, vendo fitas de corrida que seu dono grava para rever depois, que ele passa seus dias adquirindo conhecimentos para a próxima vida.

Ao longo do livro ele vai contando como foi sua vida desde que Denny o escolheu em uma fazenda, como a amizade e o laço de cumplicidade deles se fortificou, o amor entre Denny e Eve, o nascimento da filha do casal Zoe – que se transforma em sua protegida – as dificuldades que Denny encontra para se tornar um piloto profissional, a tragédia que recai sobre todos eles e transforma suas vidas do dia para noite.
No decorrer do livro ele vai mesclando momentos de plena felicidade ao lado da família, com momento de tristeza e revolta, mas sempre deixando claro há uma saída digna e honesta para todos os problemas.
Se você não se ater que ele é um cachorro, você acaba se esquecendo e acredita que a narrativa é de um humano.

A amizade e fidelidade de Enzo a Denny e a Zoe é tão grande que faz o coração da gente ficar apertadinho tamanha dedicação e amor que ele sente por eles.

Dizem que o animal é o reflexo do dono, e isso fica muito claro no livro, pq Enzo além de ser apaixonado pelos programas da TV a cabo é apaixonado por corridas de Fórmula I, a natureza do animal pode ser boa, mas um dono de caráter ilibado e um bom coração farão com que o animal seja seu reflexo, e é isso que eu vejo, Enzo um cachorro de coração imenso, mas que é assim pq seu dono lhe ensinou a ser assim, lhe passando conceitos de respeito, caráter e amizade como se Enzo fosse seu filho e não seu cachorro.

Uma consideração final, é necessária uma alma muito leve, um coração muito aberto e uma sensibilidade muito aguçada para entender a alma de um animal dessa maneira, e transmitir de forma tão real e sincera os sentimentos deles, pq por trás daquele corpinho peludo, nariz de bolinha geladinho, rabinho abanando sem parar, há um coração que sente medo, saudade, amor, frio, incerteza, mas principalmente dor.

Uma história sobre amizade e fidelidade que vale a pena ler.

Jamais me esquecerei que " O carro vai para onde vão seus olhos."

Curiosidades:

- Inicialmente o nome não seria Enzo, seria Juan Pablo, mas posteriormente em homenagem ao fundador da Ferrari ele alterou o nome do protagonista para Enzo.

- Para compor o personagem de Denny, o autor pesquisou a vida do campeão Ayrton Senna e teve conversas com a irmã dele, Viviane Senna, afinal de contas, correr na chuva era uma de suas maiores habilidades.

E para finalizar, o trailler do livro, que é lindo!


26 de fevereiro de 2012

O milagre - Nicholas Sparks


Título nacional: O milagre
Título original: True believer
Autor: Nicholas Sparks
Editora: Agir
ISBN: 978-85-209-2482-2
Ano de lançamento: 2005
Lançamento no Brasil: 2010
Páginas: 326
Classificação:

Vestido de preto da cabeça aos pés e com a aparência de alguém sempre pronto para ir a um velório, Jeremy Marsh reflete em seu estilo uma forte vocação para encarar a vida de forma racional. Badalado pela mídia, respeitado pela comunidade científica, aos 37 anos o jornalista assina uma coluna na prestigiosa revista Scientific American – sem, contudo, emplacar um relacionamento feliz. A saída que Jeremy encontra para exorcizar os fantasmas de um casamento desfeito é negar a existência de outros tipos de fantasmas: aqueles que arrastam correntes e aparecem sob lençóis.
Seu trabalho como freelancer já o fez viajar pelo mundo à cata de lendas urbanas como a do monstro de Loch Ness. Por isso não se surpreende ao receber a carta de Doris McClellan, uma senhora com poderes divinatórios que o convida a investigar as misteriosas luzes de Cedar Cree, um antigo cemitério de escravos que teria sido alvo de uma maldição.
Acionando seu agente e um cameraman tatuado e beberrão, Jeremey deixa Nova York e parte em direção ao sul dos Estados Unidos. Essa é terra da sofrida Lexie Darnell – alguém que, longe de ser uma mocinha ingênua do interior, se mostra vacinada contra os avanços de qualquer conquistador da cidade grande.
Mas será que um forte sentimento pode ultrapassar as fronteiras que separam a fé da descrença?


A sinopse parece um tanto confusa, mas ao virar de cada página o leitor se depara com um livro suave, simples, de leitura agradavél, um romance gostoso e que deixa aquele gostinho de quero mais.
É narrado em terceira pessoa, o que eu acho fantástico, pois mostra o ponto de vista de cada um da história, não tornando a leitura cansativa, o que pra mim, é um ponto muito positivo.

No início, o foco é Jeremy, e a impressão que ele nos passa é de um homem extremamente concentrado no trabalho, cético ao extremo, e duro demais consigo mesmo em relação aos própios sentimentos. A típica pessoa que não se permite.
Masssss ao chegar em Boone Creek, uma cidade sulista, de costumes rústicos, com uma população extremamente receptiva, ele se despe da carcaça de homem incrédulo e concentrado no trabalho, para se mostrar como um homem sensível, que é apenas carente, e que apesar de não acreditar no sobrenatural, acredita no amor.

Lexie por sua vez, é uma bibliotecária jovem, bonita, decidida, forte, mas descrente no amor e crente em milagres e coisas que a ciência não é capaz de explicar. Porém, mesmo acreditando em milagres ela não consegue ouvir a voz do próprio coração, o que a torna uma mulher extremamente racional, sufocando os próprios sentimentos.

E é essa constradição entre os personagens que torna a história de amor dos dois interessante e gostosa em ser descoberta página por página.

O livro todo trata sobre a quebra de barreiras dos personagens, que as trancedem e pouco a pouco se deixam viver e sentir, que vão se despindo de seus fantasmas.
O livro é riquíssimo em detalhes, e isso dá mais veracidade a história, você realmente se sente em uma cidade do interior cercada de pessoas de bom coração.

Resumindo, a história trata da descoberta do amor, aliás, como se fosse o primeiro amor, e somente isso, o mistério do cemitério é secundário e a explicação é quase boba de tão óbvia.

Isso não é uma crítica negativa, pq ao terminar o livro eu fiquei triste, me apego mesmo a história, mas é algo singular por ser um livro do Nicholas Sparks, um autor que tem o dom de te deixar com os olhos inchados de tanto chorar ao fim de um livro.

Pra quem gosta de romance eu recomendo, e pra quem não conhece o Nicholas Sparks eu recomendo duplamente, ele é sinõnimo de qualidade literária.

Enfim, é lindo!

Curiosidades:

- O livro foi lançado com capas distintas, porém, a capa da editora Prestígio, remete á uma das cenas mais bonitas do livro.

- A capa da editora Agir retrata uma mulher loira, enquanto Lexie tem cabelos escuros.


- Existe a continuação do livro, chama-se À primeira vista, e retrata a adaptação de Lexie e Jeremy ao dia dia e ao bebê que está quase chegando.